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Ellen Galinsky, do Instituto das Famílias e do Trabalho, perguntou à mil crianças: “Se você pudesse ter um desejo sobre seus pais, o que seria?”. Os pais previram que as crianças diriam, “passar mais tempo com eles”. Mas os pais estavam errados, porque as crianças responderam que gostariam que seus pais estivessem menos cansados e menos estressados. A verdade é que as crianças sentem a exaustão dos pais e também são prejudicadas por ela, impactando todo o relacionamento familiar. Em um avião, quando há despressurização e caem as máscaras de oxigênio, os adultos devem colocar a máscara em si e somente depois auxiliar as crianças. Isso porque se os pais desmaiarem pela falta de oxigênio, além de não ajudarem a si, não poderão ajudar os filhos. Na rotina de uma família funciona da mesma forma. Se os pais não estiverem psicologicamente bem ou organizados, os filhos também não estarão. Há um método utilizado em empresas que pode mudar esse cenário dentro de casa: o método ágil. As organizações, cada vez mais, buscam por essa metodologia para acelerar as entregas durante o desenvolvimento de um projeto através de times auto-organizados, fazendo uso da inteligência coletiva com reuniões (sprints) até o final do projeto. Sabe como o método ágil pode ajudar a sua família? Faça reuniões. A princípio parece um método de rotina bitolada, mas pode ser a solução para situações complicadas. Reúna a sua família, incluindo as crianças, e comece a listar tudo o que deu errado durante a semana, o que deu certo, e o que será feito na próxima semana. Uma simples reunião de 20 minutos é suficiente. Algo que tanto adultos quanto crianças adoram fazer é marcar uma tarefa concluída, por isso, anote as tarefas da semana em um quadro ou em uma folha na geladeira, e cada vez que uma tarefa for concluída, você ou as crianças podem marcá-las, como uma checklist. Há 3 ações essenciais que você deve colocar em prática nessas reuniões: 1. Faça adaptações o tempo todo: Você não tem resultados diferentes tomando as mesmas decisões. Os ensinamentos não precisam vir sempre de gurus ou especialistas, com o universo de informações disponíveis na atualidade, você pode reinventar o que for preciso com ideias simples. Por exemplo: o jantar em família não precisa ser um jantar. É muito importante que haja um tempo em família durante a rotina, mas ele não precisa necessariamente ser um jantar. Pode ser um café da manhã em família, um almoço, um período antes de deitar. Reinvente conforme as suas necessidades. Seja flexível, mantenha a mente aberta e deixe a melhores ideias vencerem. 2. Empodere as crianças: O empoderamento das crianças não significa uma irresponsabilidade dos pais, mas o início de uma independência. Incentive-as e faça com que planejem seus objetivos, suas compras, seus horários e que aprendam a errar e acertar sozinhas, afinal, é melhor errar com uma mesada de 50 reais hoje, do que com um salário de 5 mil reais ou uma herança de 500 mil no futuro. Outra prática que, inicialmente, pode soar radical, é que as crianças escolham suas próprias punições. Bruce Feiler citou em sua palestra no TEDx como isso funciona na sua família: para solucionar problemas com birras, cada membro da família pode ter apenas 5 minutos de “chilique” durante a semana, e a cada minuto ultrapassado, deve pagar uma flexão. Em uma ocasião posterior ao combinado, quando uma das filhas começou a fazer birra, a outra mesmo a alertou “você está tendo um chilique”, começou a contar, e quando chegou a 10 segundos, a primeira filha já havia parado de gritar. Trata-se de uma independência para auto-controle. 3. Conte sua história: Flexibilidade é bom, mas sua família também precisa de uma terra firme. Empresas definem missões e valores, e as famílias também podem. Faça um encontro diferente, como uma festa do pijama divertida, para definir esses valores e deixe eles expostos em casa. Assim, quando houver algum problema com as crianças (como uma briga na escola) você pode mostrar qual desses valores ela não levou em consideração nas suas atitudes. De forma geral, pessoas que sabem de onde vieram, onde seus pais estudaram, de onde são seus avós e histórias de família, que têm consciência da sua história, tendem a ter mais auto-confiança. Muitos pais investem tempo pensando no que fizeram de errado. Invista seu tempo pensando no que deu certo! Revise e recomece. Afinal, felicidade não é algo para se encontrar, mas para se criar.


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