Mais de 90 mil veículos cruzam diariamente a Cidade Pedra Branca. Somam-se a eles cerca de 16 mil moradores e uma população flutuante estimada em 25 mil pessoas entre estudantes, trabalhadores e visitantes. O movimento diário supera a população inteira de muitos municípios catarinenses. Ainda assim, o bairro registra, em média, apenas quatro ocorrências por mês, a maioria relacionada a furtos de oportunidade, como bicicletas sem cadeado, veículos deixados abertos ou obras vulneráveis.
Os números ajudam a explicar por que a segurança passou a ser tratada como um dos pilares do desenvolvimento da região. Na Pedra Branca, porém, essa preocupação não surgiu como resposta ao aumento da criminalidade. Ela acompanha o bairro desde o início de sua implantação e foi incorporada ao planejamento urbano antes mesmo do crescimento acelerado registrado nos últimos anos.
“A preocupação com a segurança sempre fez parte da essência da Pedra Branca. Desde a implantação do bairro e, posteriormente, da AMO, há investimento em ações preventivas para acompanhar seu desenvolvimento e preservar a qualidade de vida dos moradores”, afirma o superintendente da Associação de Moradores (AMO), Diego Chierighini .
Essa lógica ganhou uma nova dimensão em 2019, quando a associação firmou uma parceria com a Intelbras. Mais do que ampliar o número de câmeras espalhadas pelo bairro, a proposta era transformar o sistema de monitoramento em uma plataforma capaz de identificar situações de risco e apoiar a atuação das forças de segurança. “O objetivo nunca foi apenas instalar mais câmeras, mas agregar inteligência ao sistema, permitindo respostas mais rápidas, maior capacidade de análise e apoio às forças de segurança”, explica Diego.
Coube à gestão de segurança da associação, hoje sob responsabilidade de Cris Ávila, acompanhar essa evolução técnica. Na época, o monitoramento já utilizava câmeras e leitura automática de placas. Com a evolução do projeto, foram incorporadas mais de 20 câmeras com reconhecimento facial, além de equipamentos dotados de inteligência artificial para ampliar a capacidade de identificação e acompanhamento de ocorrências.
Antes da ampliação, a Pedra Branca permaneceu por cerca de 14 meses sem registrar furtos a residências na área monitorada pela AMO. O investimento foi realizado de forma preventiva, acompanhando o crescimento da região e o aumento da circulação de pessoas e veículos. “Quando um veículo ou uma pessoa cadastrado no sistema é identificado, a Central de Monitoramento inicia o monitoramento em tempo real”, descreve Cris. Dependendo da situação, equipes da própria associação realizam uma verificação presencial e, quando necessário, acionam a Polícia Militar. Parte das ferramentas também opera de forma integrada aos sistemas das forças de segurança, permitindo o compartilhamento de informações dentro dos limites legais.
Segundo a AMO, cerca de 200 pessoas passam mensalmente por algum tipo de monitoramento preventivo realizado pela central. Outros 30 veículos, em média, despertam atenção por apresentarem registros de furtos ou envolvimento em ocorrências na região. Esses casos são comunicados às autoridades e podem contribuir para recuperações de veículos e abordagens policiais.
Já medir quantos crimes deixaram de acontecer é um desafio. “Muitas vezes, o monitoramento, a identificação antecipada e a presença dos atendentes externos fazem com que a pessoa simplesmente desista da ação antes que qualquer delito seja cometido”, destaca Cris. Para a associação, com a prevenção, o principal indicador continua sendo a manutenção dos baixos índices de criminalidade mesmo diante da expansão do bairro.
Além do cuidado como superintendente da AMO, Diego enxerga enquanto morador o Como resultado prático dessa engenharia toda. “Quem reside aqui percebe que a tecnologia trouxe mais capacidade de prevenção, maior integração com as forças de segurança e uma resposta muito mais rápida às ocorrências.” É esse o argumento que sustenta o discurso da associação. A Cidade Pedra Branca tratou segurança como parte da solução para um planejamento urbano bem sucedido, não como resposta a um problema que ainda não tinha aparecido.








